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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Psicólogos advertem: manipulação da mídia faz mal à saúde

Campanha do Conselho Federal de Psicologia (CFP) compara manipulação da mídia à indústria farmacêutica. "Se nós não conseguirmos converncer as pessoas de que informação muda a cognição, o aprendizado, a mandeira de como você lê o mundo, nós vamos, a vida toda, pegar a receita, passar na farmácia, tomar o remédio que, às vezes, não era necessário", afirma Juliano de Carvalho, jornalista.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cinco álbuns históricos da música mineira

Skank em meados da década de 1990
Reprodução / musicbuzzer.com

Além das montanhas, da culinária e da hospitalidade de seu povo, Minas Gerais também é conhecida por revelar grandes nomes da cultura brasileira.

Na música, desde o sertanejo, passando pelo pop, música eletrônica e chegando ao heavy metal, nossas diversificadas manifestações artísticas são um claro sintoma de nosso povo, que pra muitos, é a síntese do Brasil.

Dentre todos os artistas, das mais variadas expressões, sempre há algum trabalho mais representativo, pode nem ser o de maior sucesso (às vezes coincide), mas são ícones de algum movimento ou de alguma manifestação que influenciou gerações, resgatou influências, marcou época para os próprios músicos e fãs.

Cinco álbuns de cinco artistas distintos, cada um de sua forma, conseguiu um justo destaque, exatamente por representar uma novidade, uma explosão de algum gênero ou por ser um norte para as futuras gerações.

SKANK - O SAMBA POCONÉ (1996)
Reprodução / skank.com.br

Primeiramente, todos os créditos ao antecessor, Calango, que foi o primeiro passo para o Skank, banda da capital mineira explodir pelo país afora.

Repetindo a produção de Dudu Marote, com O samba poconé o Skank colocou os dois pés no mainstream nacional. Beirando os dois milhões de discos vendidos, a banda foi muito além das rádios de pop/rock, rivalizava com rádios populares que tocavam axé e pagode. "Garota nacional" era (e é) conhecida por um público muito além do rock, transformou-se em uma canção que ecoava pelos rincões do país e um videoclipe que despertava o desejo de vários adolescentes. É uma partida de futebol também chegou ao topo das músicas mais tocadas no país, puxando em seguida a música Tão seu que também teve ótima execução.

O álbum transpirava canções pop que grudavam facilmente na cabeça. Eu disse a ela fazia referências a Belo Horizonte. Além disso, a banda iniciava um flerte com a música latina (inclusive contou com duas participações de Manu Chao neste trabalho), que desencadeou em investimentos e shows do grupo fora do país. O Skank rompeu as fronteiras, com um disco deliciosamente pop, antes de romper suas próprias barreiras musicais em Maquinarama (2000).

PATO FU - GOL DE QUEM? (1994)
Reprodução / patofu.com.br

Antes de Xande Tamietti (bateria) e Lulu Camargo (teclado), o Pato Fu era um trio com John, Fernanda Takai e Ricardo Koctus. Na época do lançamento deste álbum, as comparações com os Mutantes foram inevitáveis. Dois caras, uma menina, tremendamente criativos dentro do rock, passeando entre a música caipira e as distorções do música mais pesada.

Este era o Pato Fu, na época do seu segundo álbum, após sua estreia com o aclamado, bagunçado, experimental e inovador Rotomusic de liquidificapum, lançado de forma independente pelo selo Cogumelo. No segundo trabalho, a banda ganhou voz e vez, graças à força irresistível de canções como Sobre o tempo e a regravação de Qualquer bobagem, dos Mutantes (pronto, mais uma associação).

Mas o trabalho ainda reservava boas surpresas, com o John tomando à frente em suas experimentações com seus 128 japs (que eram denominados várias coisas e muitas vezes poderiam até ser mesmo 128 japoneses). A caipira Vida imbecil é deliciosa, com seus sotaques e arranjos. Gol de quem? possui letra afiada, já A volta do boêmio, regravação de Adelino Moreira talvez seja o primeiro trip-hop feito no país, talvez até antes do próprio gênero existir lá fora (!). Ob-la-di ob-la-da dos Beatles virou canção de recreio infantil, talvez a banda muito antes do trabalho Música de brinquedo (2010) já flertava insconscientemente com esta forma lúdica que recriar canções.

Em seguida, a banda ainda lançou trabalhos consistentes como os ótimos Televisão de cachorro, Isopor e se aproximou da perfeição do pop adulto com Toda cura para todo mal. Mas quando ainda eram crianças e brincavam com a música, o Pato Fu fez história.

CLUBE DA ESQUINA (1972)
Reprodução / revistaarmazemdosom.blogspot.com

Depois da ótima repercussão do disco Travessia (1967), Milton Nascimento gravou mais três bons discos, mas foi com este álbum, em parceria com Lô Borges, que o som dos mineiros foi dignamente amplificado mundo afora.

Com contribuições de Fernando Brant, Márcio Borges, Ronaldo Bastos para este clube, as influências também eram diversas. As raízes da música mineira se encontravam com o jazz, com o folk rock, samba, Beatles e rock progressivo.

San Vicente agrega tantas influências que a confusão mental é perdoável. Já o som britânico eclode em Girassol da cor do seu cabelo e seus belos arranjos, inclusive com mudanças drásticas de andamento e orquestração, remetendo a Pink Floyd e Beatles.

Bons arranjos e canções com apelo comercial eram (e ainda são) uma combinação irresistível. O refrão de Trem azul foi eternizado. O que dizer de Paisagem na janela, com sua narrativa poética e seu histórico refrão, que arrepiam gerações?

Dentro da MPB, tivemos vários movimentos significativos como a bossa nova e a tropicália. Em posição de igualdade, surgiu no bairro de Santa Tereza um movimento da mesma importância e expressão, com riqueza nas letras, ou quando fosse necessário, a melodia já bastava, como em na música Clube da esquina nº2.

J. QUEST (1996)
Reprodução / terra.com.br

Em meados dos anos 1990, uma banda que curtia black music tocava pelos bares e calouradas de Belo Horizonte. Era o Jonny Quest, que assinava J. Quest.

Usando perucas remetendo ao som e visual black power dos anos 1970 e com nítida influência de acid jazz e Jamiroquai (influência que permanece até hoje, mesmo com as duas bandas, Jamiroquai - e hoje - Jota Quest fazendo sons diferentes de suas origens).

Assim que foi lançado, o estrago foi imediato. Quer dizer, teve uma ajuda do Skank, que no seu auge comercial, chamou o grupo pra abrir vários shows.

Potencializado por uma excelente regravação de As dores do mundo (de Hyldon), que flertava com a disco e black music, logo em seguida o grupo enfileirou mais dois grandes sucessos: Encontrar alguém e Onibusfobia.

Mas o trabalho ainda reserva boas surpresas nas faixas menos conhecidas, revelando uma banda afiada, com músicos habilidosos e uma atmosfera leve, descompromissada e divertida. Rapidamente e seus metais, os improvisos de Always be all right e sua primeira balada Vício, que pra quem é fã de Jamiroquai, remete a Half the man. E a melhor música da carreira deles, Vou pra ai, indispensável.

O J. Quest resgatou a black music de Tim Maia, Tony Tornado, mesclou com a disco music e atualizou com os grooves do acid jazz e fez um álbum que até hoje não repetiu.

SEPULTURA - ROOTS (1996)
Reprodução / metalwallpapers.org

Em poucas palavras, pode-se dizer que após futebol (Pelé, Ronaldinho, Romário, Kaká) e carnaval, o Sepultura é a referência do país no exterior. Roots foi o responsável por essa popularização da banda e de levar o heavy metal a nichos não explorados.

O grupo já vinha de excelentes críticas com Arise (1991) e Chaos A.D. (1993), já considerados fundamentais pelos amantes do gênero. Mas em 1996, a banda rompeu as fronteiras bem delimitadas do seu estilo.

Incorporando elementos brasileiros dentro da música, o Sepultura criou um novo parâmetro dentro do rock pesado, incluindo um público que não é metaleiro, mas que não resistiu a um álbum tão estarrecedor.

Apesar do grande hino "Roots bloody roots", o disco vai muito além, em seus 72 minutos. Agrega expoentes como Mike Patton (Faith No More), Jonathan Davies (Korn), Carlinhos Brown e participações da tribo de índios Xavantes.

"Attitude", "Cut-throat", "Ratamahatta", "Breed apart", "Lookaway", "Ambush". As músicas vão se sucedendo e o ouvinte não tem outra reação senão se estupefar.

Fonte: Divirta-se - Portal Uai

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Transformação!


"Eu penso em renovar o homem usando borboletas".


Manoel de Barros


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

'Carnaval Sanfônico' no projeto 'Carnaval à Moda Mineira'


A cidade de Belo Horizonte, em busca da sua identidade cultural carnavalesca, acabou criando um novo modelo de Carnaval, diferente dos outros e com estrutura para acontecer no Brasil e no mundo, podendo se transformar em uma das boas referências da folia brasileira.
O Carnaval à moda mineira é constituído de dois ícones da cultura de Minas Gerais: viola e sanfona.

CARNAVAL SANFÔNICO

Um carnaval à moda antiga, animado pelos sanfoneiros maestro DIMAS SOUZA e RENAN DO ACORDEON, e por uma banda formada pelos músicos Ricardo Prates (baixo), Evaldo Milagres (bateria), Carlinhos Ferreira e Zeca Magrão (percussão). O público cairá na folia. No repertório, antigas marchinhas, sambas, frevos, axé e batuques, deixando o público motivado a dançar.


LOCAL: Feira Tom Jobim
Avenida Brasil com Avenida Carandaí

DATA: 26 de fevereiro
Sábado

HORÁRIO: 13h

ENTRADA FRANCA

CARNAVIOLA

Praça da Liberdade

Dia 08 de março - terça-feira
16h

O CARNAVIOLA é um show movido a viola caipira, animado pelos violeiros CHICO LOBO e PEREIRA DA VIOLA, acompanhados por uma grande banda, misturando calangos, lundus, folias, congados, maracatus, cirandas, batuques de viola, catiras, calangos, cocos, cateretês e arrasta-pés, em um ritmo bem dançante, capaz de contagiar foliões de qualquer idade.

No carnaval passado, cerca de 10.000 pessoas dançaram ao som das violas.

Há quatro anos o CARNAVIOLA está presente na vida dos mineiros, sempre na terça-feira de Carnaval, como marco oficial de encerramento da folia momesca na nossa cidade.

Mamá na Vaca



O pré-carnaval desse ano em BH promete ser agitado. No sábado, dia 26 de fevereiro, a partir das 14 horas, pelo segundo ano consecutivo o bloco Mamá na Vaca desfila pelas ruas do bairro Santo Antônio. Bloco quer resgatar a alegria dos tradicionais blocos de rua e homenagear este antigo bairro e seus marcos, entre ele, a vaquinha da rua Leopoldina, a rainha desse Carnaval.

A concentração começa às 14 horas na Praça Cairo, no Bairro Santo Antônio. Prepare sua fantasia!

Mais informações: http://mamanavaca.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Alimentação Ayurveda




Na Biologia, adstringente é o produto que contrai, estreita, reduz, produz constrição, união, ligação; que contrai os tecidos e vasos sanguíneos, diminuindo a secreção das mucosas; contrai ou recobre os tecidos orgânicos, diminuindo as secreções ou formando camada protetora; contraem os tecidos, combatendo diversas moléstias inflamatórias da boca, garganta, intestinos, órgãos genitais; provoca contração das mucosas, dos vasos e dos tecidos.

Alimentação e Ayurveda

Na Ayurveda, a alimentação não é baseada na quantidade de carboidratos, gorduras e proteínas ou calorias, minerais e vitaminas ingeridos.

Nos aproximando mais da natureza, conhecendo melhor nosso corpo e suas necessidades, a Ayurveda busca nos dar o conhecimento necessário para termos uma alimentação naturalmente balanceada. Contudo, uma vez que dispomos do balanceamento alimentar através de uma análise nutricional, enfoque ocidental, o mesmo é bem vindo e complementa o conhecimento acumulado pelo oriente.

O objetivo das dietas alimentares na Ayurveda é ajudar a promover o equilíbrio dos elementos e de sua interação no corpo humano, tomando por base a constituição individual de cada pessoa (dosha).

De acordo com a Ayurveda existem seis sabores (rasas) nos alimentos, derivados da combinação dos cinco elementos da Natureza (bhutas).

São eles: doce, ácido, salgado, pungente, amargo, e adstringente.

Os alimentos doces produzem contentamento e prazer, acalmando os dosha Vata e Pitta, mas agravando Kapha. Na Ayurveda são considerados alimentos doces: açúcar, mel, arroz, trigo, leite, creme de leite, manteiga, carnes, óleos, Ghee e quase todos os grãos, entre outros.

Os alimentos ácidos despertam a mente e os sentidos, acalmando o dosha Vata, mas agravando Pitta e Kapha. São considerados alimentos ácidos: limão e outras frutas ácidas, queijo e iogurte (devido à fermentação), tomate, vinagre, entre outros.

Os alimentos salgados acalmam os nervos e diminuem a ansiedade, acalmando o dosha Vata, mas agravando Pitta e Kapha. O sal é um alimento salgado e está presente em diversos outros alimentos.

Os alimentos pungentes abrem a mente e os sentidos, acalmando o dosha Kapha, mas agravando Vata e Pitta. São considerados alimentos pungentes: pimentas e temperos em geral, alho, cebola, gengibre, rabanete, entre outros.

Os alimentos amargos clareiam os sentidos e as emoções, acalmando os doshas Pitta e Kapha, mas agravando Vata. São considerados alimentos amargos: verduras amargas, como chicória, rúcula, almeirão, entre outras, espinafre, ervas amargas, entre outros.

Os alimentos adstringentes acalmam mentes irritadas ou nervosas, clareiam os sentidos e as emoções, e removem a letargia, acalmando os doshas Pitta e Kapha, mas agravando Vata. São considerados alimentos adstringentes: feijões, lentilhas, maçã, pêra, repolho, brócolis, couve-flor, batatas, entre outros.

Além disso, devemos considerar o que na Ayurveda chamamos de qualidades (gunas) dos alimentos. Estes podem ser: quentes ou frios, secos ou oleosos, leves ou pesados. Nossas dietas alimentares básicas devem levar em consideração nossa constituição, a presença dos seis sabores e a qualidade dos alimentos.

Fonte: www.ayurvedayoga.com.br

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Complexo de Roberto Carlos


A amizade e o fundamento subjetivo das redes sociais
Marcia Tiburi

“Eu quero ter um milhão de amigos” é o famoso verso da linda canção “Eu Quero Apenas”, de Roberto Carlos. Adaptado aos nossos tempos, o verso representa o anseio que está na base do atual sucesso das redes sociais. Desde que Orkut, Facebook, MySpace, Twitter, LinkedIn e outros estão entre nós, precisamos mais do que nunca ficar atentos ao sentido das nossas relações. Sentido que é alterado pelos meios a partir dos quais são promovidas essas mesmas relações.

O fato é que as redes brincam com a promessa que estava contida na música do Rei apenas como metáfora. O que a canção põe em cena é da ordem do desejo cuja característica é ser oceânico e inespecífico. Desejar é desejar tudo, é mais que querer, é o querer do querer. Mas quem participa de uma rede social ultrapassa o limite do desejo e entra na esfera da potencialidade de uma realização que vem tornar problemática a relação entre real e imaginário. Se a música enuncia que “eu quero ter um milhão de amigos”, ela antecipa na ala do desejo o que nas redes sociais é seu cumprimento fetichista. E o que é o fetichismo senão a realização falsa de uma fantasia por meio de sua encenação sem que se esteja a fazer ficção? Torna-se urgente compreender as redes sociais quando uma nova subjetividade define um novo modo de vida caracterizado pelo que chamaremos aqui de complexo de Roberto Carlos.

Tal complexo se caracteriza pelo desejo de ter um milhão de amigos no qual não está contido o desejo de ter um amigo verdadeiro, muito menos único. A impossibilidade de realização desse desejo é até mesmo física. Não seria sustentável para o frágil corpo humano enfrentar “um milhão” de contatos reais. Na base do complexo de Roberto Carlos está a necessidade de sobrevivência que fez com que pessoas tenham se reunido em classes sociais, famílias, igrejas, partidos, grêmios, clubes e sua forma não regulamentada que são as “panelas”. Um milhão de amigos, portanto, ou é metáfora de canção ou é fantasmagoria que só cabe no infinito espaço virtual que cremos operar com a ponta de nossos dedos como um Deus que cria o mundo do fundo obscuro de sua solidão. Complexo de Roberto Carlos, de Rei, ou de Deus…

Questão fantasmagórica

A questão é da ordem do imaginário e de sua eficiente colonização. Não haveria o que criticar nesse desejo de conexão se ele não servisse de trunfo exploratório sobre as massas. Refiro-me às empresas de comunicação digital que usam o desejo humano de conexão e comunicação como isca para conquistar adeptos. Amizade é o nome dessa isca. Mas o que realmente está sendo vendido nessas redes se a amizade for mais que isso? Certamente não é a promessa de amizade, mas a amizade como gozo: a ilusão de um desejo realizado. E quando um desejo se realiza? Apenas quando ele dá lugar à aniquilação daquilo que o impulsionava.

Logo, o paradoxo a ser enfrentado nas redes sociais é que a maior quantidade de amigos é equivalente a amizade nenhuma. A amizade é como o amor, que só se sustenta na promessa de que será possível amar. Por isso, quando se sonha com o amor, ele sempre é desejo de futuro, no extremo, de uma eternidade do amor. O mesmo se dá com a amizade. Um amigo só é amigo se for para sempre. Mas quem é capaz de sustentar uma amizade hoje quando se pode ser amigo de todos e qualquer um?

De todas as redes sociais, duas delas, Orkut e Facebook, usam a curiosa terminologia “amigo” para nomear seus participantes. Certamente o uso da palavra não garante a realidade do fato, antes banaliza o significado do que poderia ser amizade, como mostra o recente filme A Rede Social (The Social Network, 2010), dirigido por David Fincher. O filme não é apenas um retrato de Mark Zuckerberg, o jovem e bilionário criador do Facebook, mas uma peça que pode nos fazer pensar sobre o sentido que nosso tempo digital dá à amizade.

Mark Zuckerberg, como personagem do filme, é o sujeito excluído de um clube. Dominado pelo básico desejo humano de “fazer parte”, ele decide criar seu próprio clube. No filme, ele consegue ter milhares de “conectados” – na realidade o Facebook hoje conecta 500 milhões de pessoas ou “amigos” – e perder seu único amigo verdadeiro, Eduardo Saresin. A amizade é a básica e absoluta forma da relação ética, aprendida como função fraterna no laboratório familiar e na escola; ela é uma qualidade de relação. Tratá-la como quantidade é a autodenúncia de seu fetiche e de sua transformação em mercadoria. O valor do filme está em mostrar a inversão diante da qual não há mais nenhuma chance de ética: um amigo não vale nada perto de milhões, como uma moedinha que perde seu valor diante de um cofre cheio. Amigos transformados em números não são amigos em lugar nenhum, nem na metáfora de Roberto Carlos, que serve aqui para denunciar criticamente o mundo do qual somos responsáveis junto com Mark Zuckerberg.

Fonte : Revista Cult


Mostra Cultura, Arte e Poder


O Cine Humberto Mauro recebe, entre 11 e 17 de fevereiro, a Mostra Cultura, Arte e Poder pela programação Verão Arte Contemporânea 2011.
Com curadoria de Sávio Leite, a mostra trata de semelhanças e especificidades da linguagem audiovisual em filmes que dialogam no eixo da cultura, da arte e do poder. Serão exibidos curtas e longas-metragens de jovens talentos e consagrados diretores cinematográficos brasileiros.

11 SEX

17h Curtas 01

19h Curtas 02

21h Curtas 03


12 SAB

16h Curtas 04 + Retrospectiva Daniel Lisboa

18h Terras

20h Terra deu, terra come


13 DOM

16h Curtas 01

18h Curtas 02

20h Curtas 03


14 SEG

17h Terras

19h Terra deu, terra come

21h Filmefobia


15 TER

17h Encontro com Milton Santos

18h Retrospectiva Éder Santos

20h Filmefobia


16 QUA

17h Curtas 04 + Retrospectiva Daniel Lisboa

19h Retrospectiva Éder Santos

21h Encontro com Milton Santos


17 QUI

17h Curtas 01

19h Curtas 02

21h Curtas 03

MOSTRA CULTURA, ARTE E PODER: ENTRADA FRANCA COM RETIRADA DE INGRESSOS MEIA HORA ANTES DA SESSÃO.

Serviço:

Evento: Mostra Cultura, Arte e Poder

Data: 11 a 17 de fevereiro

Local: Cine Humberto Mauro

Entrada franca

Informações: 31- 32367400

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cony aos pedaços


Chega às livrarias de todo o país em maio, pela editora LeYa, o livro do jornalista e imortal Carlos Heitor Cony, “Eu, aos pedaços”. A obra reúne crônicas já publicadas sobre a vida pessoal e profissional de Cony.
 
Não são poucos que proclamam Carlos Heitor Cony um poeta do jornalismo. É, também, um grande escritor, intelectual ou boa praça. Mas o próprio personagem de si mesmo é como o início deste parágrafo: Cony tem mesmo qualquer coisa de indefinível.

Em seus textos, ao falar da infância ou de gostos particulares, sugere não dizer tudo. Até parece que gosta de fazer segredo. Mas não. O sentimento, a lembrança, o fato. Está tudo ali. “Grudei na cara várias máscaras, várias caras – e, se não obtive poder e glória, ao menos sobrevivi quieto e no meu canto, fazendo um tipo de Carnaval a meu modo, interior, doído, véspera de cinzas”, escreve.

Ao tratar de assuntos de ordem e progresso, por outro lado, os textos de Cony devem ser lidos com atenção. As palavras são ditas sem censura, mas mesmo assim é possível refletir a respeito dos dizeres claramente escritos. Como quando comentou sobre a instauração da ditadura, escrevendo: “O ato não foi um ato: foi um fato, fato lamentável mas que, justamente por ser um fato, já contém, em si, os germes do antifato que criará o novo fato”.

E assim, depois que se começa a entender a primeira pronúncia, basta acompanhar o desenvolver da trama e se surpreender com suas análises e observações da vida contemporânea. Em alguns, pode até doer. E que doa, em linhas gerais, e tumultue – para o bem ou para o mal – as mentes ainda adormecidas de muita gente.

Figura polêmica no cenário nacional, o escritor muitas vezes esteve no meio de embates, controvérsias, celeumas. O fato é que o jornalista, desde cedo na carreira, impressionou os colegas de profi ssão pela prosa curta e arrebatadora nos temas mais variados, que invariavelmente cutucava a célebre indecisão política dos anos dourados, de chumbo ou de qualquer outro quilate.

Nascido no Rio de Janeiro em 1926, coleciona desde o primeiro romance (O Ventre) títulos e prestígios que o levariam a receber, em 1996, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. A personalidade irrequieta, contudo, não sossegou mesmo depois de tamanha homenagem. Pelo contrário, as palavras continuam a fluir com naturalidade e estilo.

À sua maneira, Cony, o cronista, o menino e o rebelde se encontram, em fragmentos, em seu livro mais recente, Eu, aos Pedaços, no qual, como o próprio afirma, “não se trata da costumeira edição de ‘100 crônicas escolhidas’ e muito menos das ‘melhores crônicas’ que nunca escrevi”. Os textos selecionados, sem ordem cronológica exata, narram os episódios e os momentos que mais o marcaram: infância, jornalismo, viagens e personagens são resgatados na prosa inquietante do imortal cronista.

Imortal, pois em março de 2000 Carlos Heitor Cony foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Como se suas palavras e episódios que se confundem com a história do país já não fossem suficientes para lhe conferir esse título de rara nobreza.

Fonte: Revista Vida Simples