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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cinco álbuns históricos da música mineira

Skank em meados da década de 1990
Reprodução / musicbuzzer.com

Além das montanhas, da culinária e da hospitalidade de seu povo, Minas Gerais também é conhecida por revelar grandes nomes da cultura brasileira.

Na música, desde o sertanejo, passando pelo pop, música eletrônica e chegando ao heavy metal, nossas diversificadas manifestações artísticas são um claro sintoma de nosso povo, que pra muitos, é a síntese do Brasil.

Dentre todos os artistas, das mais variadas expressões, sempre há algum trabalho mais representativo, pode nem ser o de maior sucesso (às vezes coincide), mas são ícones de algum movimento ou de alguma manifestação que influenciou gerações, resgatou influências, marcou época para os próprios músicos e fãs.

Cinco álbuns de cinco artistas distintos, cada um de sua forma, conseguiu um justo destaque, exatamente por representar uma novidade, uma explosão de algum gênero ou por ser um norte para as futuras gerações.

SKANK - O SAMBA POCONÉ (1996)
Reprodução / skank.com.br

Primeiramente, todos os créditos ao antecessor, Calango, que foi o primeiro passo para o Skank, banda da capital mineira explodir pelo país afora.

Repetindo a produção de Dudu Marote, com O samba poconé o Skank colocou os dois pés no mainstream nacional. Beirando os dois milhões de discos vendidos, a banda foi muito além das rádios de pop/rock, rivalizava com rádios populares que tocavam axé e pagode. "Garota nacional" era (e é) conhecida por um público muito além do rock, transformou-se em uma canção que ecoava pelos rincões do país e um videoclipe que despertava o desejo de vários adolescentes. É uma partida de futebol também chegou ao topo das músicas mais tocadas no país, puxando em seguida a música Tão seu que também teve ótima execução.

O álbum transpirava canções pop que grudavam facilmente na cabeça. Eu disse a ela fazia referências a Belo Horizonte. Além disso, a banda iniciava um flerte com a música latina (inclusive contou com duas participações de Manu Chao neste trabalho), que desencadeou em investimentos e shows do grupo fora do país. O Skank rompeu as fronteiras, com um disco deliciosamente pop, antes de romper suas próprias barreiras musicais em Maquinarama (2000).

PATO FU - GOL DE QUEM? (1994)
Reprodução / patofu.com.br

Antes de Xande Tamietti (bateria) e Lulu Camargo (teclado), o Pato Fu era um trio com John, Fernanda Takai e Ricardo Koctus. Na época do lançamento deste álbum, as comparações com os Mutantes foram inevitáveis. Dois caras, uma menina, tremendamente criativos dentro do rock, passeando entre a música caipira e as distorções do música mais pesada.

Este era o Pato Fu, na época do seu segundo álbum, após sua estreia com o aclamado, bagunçado, experimental e inovador Rotomusic de liquidificapum, lançado de forma independente pelo selo Cogumelo. No segundo trabalho, a banda ganhou voz e vez, graças à força irresistível de canções como Sobre o tempo e a regravação de Qualquer bobagem, dos Mutantes (pronto, mais uma associação).

Mas o trabalho ainda reservava boas surpresas, com o John tomando à frente em suas experimentações com seus 128 japs (que eram denominados várias coisas e muitas vezes poderiam até ser mesmo 128 japoneses). A caipira Vida imbecil é deliciosa, com seus sotaques e arranjos. Gol de quem? possui letra afiada, já A volta do boêmio, regravação de Adelino Moreira talvez seja o primeiro trip-hop feito no país, talvez até antes do próprio gênero existir lá fora (!). Ob-la-di ob-la-da dos Beatles virou canção de recreio infantil, talvez a banda muito antes do trabalho Música de brinquedo (2010) já flertava insconscientemente com esta forma lúdica que recriar canções.

Em seguida, a banda ainda lançou trabalhos consistentes como os ótimos Televisão de cachorro, Isopor e se aproximou da perfeição do pop adulto com Toda cura para todo mal. Mas quando ainda eram crianças e brincavam com a música, o Pato Fu fez história.

CLUBE DA ESQUINA (1972)
Reprodução / revistaarmazemdosom.blogspot.com

Depois da ótima repercussão do disco Travessia (1967), Milton Nascimento gravou mais três bons discos, mas foi com este álbum, em parceria com Lô Borges, que o som dos mineiros foi dignamente amplificado mundo afora.

Com contribuições de Fernando Brant, Márcio Borges, Ronaldo Bastos para este clube, as influências também eram diversas. As raízes da música mineira se encontravam com o jazz, com o folk rock, samba, Beatles e rock progressivo.

San Vicente agrega tantas influências que a confusão mental é perdoável. Já o som britânico eclode em Girassol da cor do seu cabelo e seus belos arranjos, inclusive com mudanças drásticas de andamento e orquestração, remetendo a Pink Floyd e Beatles.

Bons arranjos e canções com apelo comercial eram (e ainda são) uma combinação irresistível. O refrão de Trem azul foi eternizado. O que dizer de Paisagem na janela, com sua narrativa poética e seu histórico refrão, que arrepiam gerações?

Dentro da MPB, tivemos vários movimentos significativos como a bossa nova e a tropicália. Em posição de igualdade, surgiu no bairro de Santa Tereza um movimento da mesma importância e expressão, com riqueza nas letras, ou quando fosse necessário, a melodia já bastava, como em na música Clube da esquina nº2.

J. QUEST (1996)
Reprodução / terra.com.br

Em meados dos anos 1990, uma banda que curtia black music tocava pelos bares e calouradas de Belo Horizonte. Era o Jonny Quest, que assinava J. Quest.

Usando perucas remetendo ao som e visual black power dos anos 1970 e com nítida influência de acid jazz e Jamiroquai (influência que permanece até hoje, mesmo com as duas bandas, Jamiroquai - e hoje - Jota Quest fazendo sons diferentes de suas origens).

Assim que foi lançado, o estrago foi imediato. Quer dizer, teve uma ajuda do Skank, que no seu auge comercial, chamou o grupo pra abrir vários shows.

Potencializado por uma excelente regravação de As dores do mundo (de Hyldon), que flertava com a disco e black music, logo em seguida o grupo enfileirou mais dois grandes sucessos: Encontrar alguém e Onibusfobia.

Mas o trabalho ainda reserva boas surpresas nas faixas menos conhecidas, revelando uma banda afiada, com músicos habilidosos e uma atmosfera leve, descompromissada e divertida. Rapidamente e seus metais, os improvisos de Always be all right e sua primeira balada Vício, que pra quem é fã de Jamiroquai, remete a Half the man. E a melhor música da carreira deles, Vou pra ai, indispensável.

O J. Quest resgatou a black music de Tim Maia, Tony Tornado, mesclou com a disco music e atualizou com os grooves do acid jazz e fez um álbum que até hoje não repetiu.

SEPULTURA - ROOTS (1996)
Reprodução / metalwallpapers.org

Em poucas palavras, pode-se dizer que após futebol (Pelé, Ronaldinho, Romário, Kaká) e carnaval, o Sepultura é a referência do país no exterior. Roots foi o responsável por essa popularização da banda e de levar o heavy metal a nichos não explorados.

O grupo já vinha de excelentes críticas com Arise (1991) e Chaos A.D. (1993), já considerados fundamentais pelos amantes do gênero. Mas em 1996, a banda rompeu as fronteiras bem delimitadas do seu estilo.

Incorporando elementos brasileiros dentro da música, o Sepultura criou um novo parâmetro dentro do rock pesado, incluindo um público que não é metaleiro, mas que não resistiu a um álbum tão estarrecedor.

Apesar do grande hino "Roots bloody roots", o disco vai muito além, em seus 72 minutos. Agrega expoentes como Mike Patton (Faith No More), Jonathan Davies (Korn), Carlinhos Brown e participações da tribo de índios Xavantes.

"Attitude", "Cut-throat", "Ratamahatta", "Breed apart", "Lookaway", "Ambush". As músicas vão se sucedendo e o ouvinte não tem outra reação senão se estupefar.

Fonte: Divirta-se - Portal Uai

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