quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em prol da Diversidade Cultural



Imersão Latina completa seis anos e elege o Tropicalismo como tema das suas comemorações

Em outubro, o Instituto Imersão Latina (Imel) completa seis anos de ativismo cultural em defesa dos povos latino-americanos e para comemorar lança o projeto “Integrando Artistas e Diversidades”, que promove várias atividades culturais em homenagem ao tropicalismo, movimento artístico e cultural brasileiro que teve seu auge em 1967-1968.

O projeto prevê intervenções culturais, até o final do ano, em Belo Horizonte, como lançamento de livro sobre o tropicalismo, exibição de filmes, shows e sarau poético. O principal objetivo das ações é resgatar a memória do movimento tropicalista, que tem como base a mistura de culturas e o experimentalismo estético, motor da diversidade na arte e na cultura brasileira.

De acordo com a presidente do Imel, Brenda Marques, o resgate do tropicalismo é muito importante para a cultura brasileira e tem sido feito pelos próprios artistas da atualidade. “Este foi um movimento ímpar na valorização das mesclas culturais dos povos e expressa toda uma diversidade cultural a partir disso. O Instituto Imersão Latina em seus seis anos de atuação busca sempre realizar eventos de integração entre as artes e os artistas e trabalha na articulação destes por acreditar na coletividade e nas parcerias. Mostrar a importância dos movimentos culturais é um dos nossos objetivos, pois eles sempre envolvem um grupo de pessoas por um ideal comum."

Dentro das atividades do projeto “Integrando artistas e diversidades” já está confirmado para o dia 04 de novembro, sexta-feira, a partir das 19h, o lançamento do livro “Tropicália - Um Caldeirão Cultural” (Editora Ferreira, Rio de janeiro, 2011, R$ 59,00) do pesquisador e músico, Getúlio Mac Cord, na Livraria Mineiriana, Savassi.



No dia 11 de novembro é a vez da Livraria Quixote receber o lançamento do livro “Olhos de estrela”, da historiadora Angela Xavier” (Edição independente, 2011, R$ 35,00 ), a partir das 19h. Essas são apenas algumas das atividades, até o final do ano o Imersão Latina promete trazer muita diversidade para a capital mineira no balanço do tropicalismo.


domingo, 23 de outubro de 2011

Batmacumba - Caetano Veloso e Gilberto Gil



batmacumbaiéié batmacumbaoba
batmacumbaiéié batmacumbao
batmacumbaiéié batmacumba
batmacumbaiéié batmacum
batmacumbaiéié batman
batmacumbaiéié bat
batmacumbaiéié ba
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

História e Tropicalismo



Getúlio Mac Cord, autor de "Tropicália, Um Caldeirão Cultural", é radialista, pesquisador de MPB e engenheiro. Seu livro já foi lançado no Rio, São Paulo, BH, Recife e no Sul. Nessa entrevista ele conta um pouquinho da história do movimento tropicalista.


1 - Quais foram as inovações estéticas da Tropicália?

As inovações na música foram no sentido de abrir espaço para as guitarras elétricas, de incorporar as sonoridades externas, como o som dos Beatles e a vanguarda sonora de experimentações da área erudita. Os maestros Júlio Medaglia, Rogério Duprat e outros estavam antenados nas vanguardas atonais, dodecafônicas e as experimentais de John Cage, somando tudo isso e aplicando na MPB. Nas artes plásticas, a liberdade era a saída da parede dos quadros. As obras eram participativas, como o ambiente “Tropicália”, de Hélio Oiticica, e também seus parangolés, que eram espécies de 'roupas´ que só se transformavam em arte ao serem vestidas pelo público. A Tropicália também estava no teatro e no cinema. Enquanto Caetano fazia a música “Tropicália”, ia para o cinema e Glauber, com seu “Terra em Transe” trabalhava vários elementos comuns. Eles iam para o teatro e Zé Celso fazia o “Rei da Vela” e depois “Roda Viva”, com o mesmo espírito tropicalista. Era uma interação das artes, tudo confluindo para um Brasil moderno, de vanguarda, da experimentação.

2 - Quais foram os elementos culturais que mais influenciaram a Tropicália e seus artistas?

O modernismo e a antropofagia cultural é a base de tudo. Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, grande guia.

3 - Porque a Tropicália foi tão criticada na época?

Naquele momento havia a chamada Guerra Fria entre os Estados Unidos (EUA) e a União Soviética (URSS). O que os grandes titãs faziam era tentar influenciar todo o mundo para o seu lado político, incluindo até a cultura. Então, o pessoal do CPC da Une – Centro Popular de Cultura, ficava com aquele estigma de engajamento e vaiava canções como “Sabiá”, obra prima de Chico e Tom, em favor de “Prá não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré. A disputa se estendia a toda a turma da Tropicália, que era vista como algo diferente. O governo e o regime militar também reagiu aos tropicalistas. Eles não entenderam nada e botaram prá correr aqueles cabeludos, Caetano e Gil, que viviam vestindo umas roupas "coloridas e espalhafatosas". Na época quem não estivesse "engajado" na falsa "moral e bons costumes" vigentes, estava fora do contexto. O governo ditava: Brasil ame-o ou deixe-o.

4 - Porque muitos artistas tropicalistas não ficaram populares?

Trato em meu livro também da questão mercadológica. A Tropicália é por essência experimental, então Macalé, Sérgio Sampaio, Luiz Melodia, Walter Franco e tantos outros eram taxados de malditos. Isso é mera forma de reducionismo! Graças a esses gênios experimentais é que a MPB é a mais rica do mundo.



Tropicália - Um Caldeirão Cultural


Tropicália - Um Caldeirão Cultural, de Getúlio Maccord contém, além da pesquisa do autor, uma coletânea de depoimentos históricos de artistas e personalidades como Rogério Duprat, Jorge Mautner, Jards Macalé, Capinan, Guilherme Araújo, Sérgio Dias, Sérgio Ricardo, José Ramos Tinhorão, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé, de quem Getúlio ganhou o prefácio.

O livro remete a uma reflexão sobre a época, sem deixar de ter uma visão crítica sobre o período ou trazer à tona curiosidades e surpresas. Para as 40 entrevistas feitas foram necessárias mais de 50 horas de conversas, gravadas em mais de 50 fitas, 55 viagens, aproximadamente 4056 shows, incontáveis recortes de jornais e revistas, em quase 300 páginas.


Eu li o livro rapidamente e em poucas semanas cheguei a última página. Foi uma viagem gostosa ao Brasil dos anos 60, dos festivais de Música Popular Brasileira, do lançamento de tantos grandes artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé, tropicalistas eternos. Pra quem gosta de MPB, ler esse caldeirão de ideias é fundamental para entender os caminhos da arte e da música brasileira.

Tropicália - Um Caldeirão Cultural, autor Getúlio Maccord, Editora Ferreira, nas boas livrarias.

Para quem ama música brasileira eu recomendo demais!


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Explosão Tropicalista

Domingo no Parque
Gilberto Gil

O rei da brincadeira
Ê, José!
O rei da confusão
Ê, João!
Um trabalhava na feira
Ê, José!
Outro na construção
Ê, João!...

A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...

O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio...

Foi no parque
Que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Foi que ele viu Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João...
O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)

E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Foi dançando no peito
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Oi girando na mente
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...

Juliana girando
Oi girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
O amigo João (João)...

O sorvete é morango
É vermelho!
Oi, girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi, girando, girando...

Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão
Ê, José!
Juliana no chão
Ê, José!
Outro corpo caído
Ê, José!
Seu amigo João
Ê, José!...

Amanhã não tem feira
Ê, José!
Não tem mais construção
Ê, João!
Não tem mais brincadeira
Ê, José!
Não tem mais confusão
Ê, João!...

Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!...






sábado, 17 de setembro de 2011

Identidade, Modernismo e Tropicália


Há alguns anos atrás, a Casa Fiat de Cultura fez uma bela exposição chamada “Tarsila e o Brasil dos Modernistas.” Tive a oportunidade de ir e admirar os quadros e os vários olhares sobre o país. Sem dúvida, ali estava uma visão ampliada dos artistas que mudaram a concepção de arte no Brasil. Entre todos, o destaque foi Tarsila do Amaral - suas obras são alegres, coloridas, de encher os olhos de apetite cultural. Faz uma homenagem ao Brasil naquilo que ele tem de mais especial – sua natureza tropical, quente e efusiva. E traz um grande olhar para o nosso povo, que tem muitos talentos, entre eles, o de ver e reinterpretar com  muita criatividade.


A arte modernista brasileira nos rendeu grandes lições, embora nem todas tenham sido amplamente degustadas, apreendidas e praticadas nas décadas seguintes. Em 1922, a “Semana de Arte Moderna”, teve grande impacto para a geração de artistas que ousou discutir a arte e suas implicações políticas e culturais. E significou uma busca pela verdadeira identidade do nosso povo, mesmo aliada aos interesses políticos de um nacionalismo arcaico. O movimento modernista foi um marco, uma quebra de padrão artístico para a época. Contudo, ele seguiu tímido até os anos 60, quando foi novamente retomado pelos novos movimentos como a Tropicália.

Historicamente, o modernismo é um dos movimentos mais fortes e vigorosos até hoje. É  uma fonte inesgotável de pesquisa e inspiração para novos artistas. Os tropicalistas lançaram mão de elementos modernistas como a antropofagia cultural e a poesia concreta. Mas eles também adicionaram ingredientes novos ao caldeirão reinventando um sentido para a cultura de massas e a cultura pop contemporânea. Eles transformaram a estética artística e comportamental dos anos 60, inaugurando um novo movimento criativo, que tinha como base a liberdade de expressão individual e coletiva. Eram novos tempos.

No Brasil, da década de 20, o movimento modernista impulsionou grandes criações e muitos artistas conquistaram um reconhecimento inegável, principalmente Tarsila do Amaral. Além do grande legado criativo, os modernistas  tiveram um papel importante nas discussões sobre a construção de uma identidade brasileira. O que nos diferencia dos outros? O que nós somos? O que nos une e nos torna uma nação?

Esta pergunta, na época, foi respondida de uma maneira muito criativa por Tarsila Amaral:


Nós somos um país tropical, com uma natureza exuberante e um povo muito descontraído. Gostamos de samba, de carnaval, de colorido. Somos um pouco de tudo que conhecemos em matéria de cultura mundial. Não fomos à Paris mas gostamos das Belas Artes. Gostamos daquilo que é culto, porque também podemos ser cultos. Podemos viajar e conhecer o mundo. Mas não há no mundo nada tão bonito como aqui. Gostamos do nosso verde, do nosso azul, do nosso amarelo e vermelho. Somos um povo de natureza quente, sensual, caloroso e hospitaleiro. E nossa imagem diz tudo. O discurso positivo de Tarsila através de sua arte é uma marca do modernismo e uma grande referência até hoje. Incluisve, a presidente Dilma Roussef tentou trazer de volta ao país a obra “Abaporu,” a mais famosa de Tarsila, para  representar no Palácio do Planalto a singularidade da nossa cultura.





Enfim, o Brasil é um país de várias identidades porque somos vários Brasis. Somos um país de dimensões continentais. Mas temos um pouco de cada lugar em nossa essência. Somos um pouco paulistas, cultos e antenados, urbanos, cosmopolitas. Somos mineiros também "uai", gostamos de tradição e de família, da nossa comida e da nossa terra. Somos cariocas "mermo", porque somos sensuais e gostamos de samba. Muito nordestinos "visse", porque somos hospitaleiros, gostamos de tambor, de afoxé e maracatu. Somos do norte "égua", gente forte, brava e guerreira. E somos do sul, gente das terras e tradições estrangeiras. Não dá para fugir - ser brasileiro é ser muito criativo para misturar tudo isso e fazer um país. E os tropicalistas vieram para resgatar com criatividade essa nossa grande vocação.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Felicidade

Felicidade
Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.

Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
/Dançar na chuva quando a chuva vem./ (4X)