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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Imagens e Vozes de Esperança - IVE


Judy Rodgers - Primeira diretora mundial do projeto Imagens e Vozes de Esperança, diretora executiva do Business as an Agent of World Benefit - BAWB e consultora de mídia e comunicações. Foi produtora de vários programas para rádio e TV nos Estados Unidos onde recebeu prêmios de grande prestígio pelo seu trabalho.


"Tenho pensado sobre o chamado que atendemos quando decidimos nos dedicar a esse trabalho – fazer arte, transmitir notícias, encenar peças teatrais, produzir filmes e programas de televisão, fazer música etc. Eu costumava rir com meus amigos e dizer “Sou tão feliz por não estar praticando medicina. Ninguém morre se cometo um erro”. Porém nesses últimos anos, com os diálogos do Imagens e Vozes de Esperança, estou começando a questionar isso. Talvez o nosso seja um negócio de vida ou morte – embora uma vida e morte em uma dimensão diferente.

Ao pensar sobre o trabalho que fazemos e o impacto que criamos, lembrei-me de algumas das mais poderosas mensagens de nossos tempos – a foto de Nelson Mandela e F. W. de Klerk apertando as mãos num estádio de futebol, as imagens da Terra vistas do espaço, como uma bola azul girando lentamente num mar de escuridão e os discursos do dramaturgo e presidente tchecoslovaco Vaclav Havel sobre a coragem e a visão. Penso que o nosso pode ser um negócio de vida ou morte, por um lado acendendo a esperança e por outro lado apagando-a.

Alguns jornalistas insistem: “Apenas informamos o que acontece no mundo. Não somos nós que fazemos essas imagens ou essas histórias. Apenas comparecemos com nossa câmera ou processador de textos e as captamos. São os outros que praticam a ação; tudo que fazemos é contar o que aconteceu – difundindo a notícia, passando adiante a história para que os outros também a conheçam”. Somos apenas os olhos e os ouvidos das sociedades que representamos.

Assista ao vídeo de apresentação do projeto:



Em um dia qualquer, em qualquer lugar do mundo, há centenas e milhares de eventos acontecendo, de histórias se desdobrando. De tudo o que acontece temos de escolher o que vale a pena contar e é aí que nos distinguimos uns dos outros: na escolha que fazemos e como transmitimos as histórias. Há um mistério nesse processo. Dois fotógrafos podem estar num mesmo lugar, ainda assim vão ver e captar duas imagens diferentes. Centenas de jornalistas podem estar no mesmo evento. Eles vão sair com centenas de versões do que aconteceu. Conforme é a nossa visão, tal qual é o nosso mundo. Não podemos escrever sobre algo que não podemos ver.

Isso nos leva ao assunto que poderíamos chamar de nossa mídia interior e a qualidade da mente que distingue a grandeza. Dentro de cada um de nós há uma corrente fluindo o tempo todo, borbulhando – às vezes mais alto, às vezes mais suave – mas sempre correndo. É um comentário que corre sobre nossas vidas e o mundo do qual fazemos parte. Para alguns é uma corrente de lamentações – caminhos não percorridos, oportunidades perdidas, medo – futuros ameaçadores levando a lugares estranhos. Para outros é uma corrente de possibilidades – portas abertas, caminhos conduzindo a novos começos, doces lembranças daqueles que nos amaram e nos consideraram importantes em suas vidas. As mentes povoadas com essas diferentes qualidades de correntes não podem ter o mesmo tipo de visão e não podem criar a mesma qualidade de história ou imagem. Um tipo de visão nos abate. O outro nos fortalece.

As sociedades se voltam para os seus artistas e para a mídia quando precisam encontrar um sentido naquilo que está acontecendo ao seu redor: elas querem saber qual é a coisa mais importante e em que deveriam prestar atenção. Elas querem saber como interpretar o que aconteceu e talvez, mais importante de tudo, o que elas podem fazer.

Quando dois aviões atacaram o World Trade Center em 11 de setembro de 2001, os cidadãos da cidade de Nova York começaram a formar filas nos centros da Cruz Vermelha e nos hospitais de toda a cidade. Conforme as horas passavam, as filas cresciam. Não havia ninguém para coletar o sangue, nada onde pudessem armazená-lo e ninguém para receber o seu sangue. Mas elas continuaram na fila durante horas porque elas queriam ajudar e não conseguiam pensar em nada mais que pudessem fazer. Isto é uma das coisas mais maravilhosas a respeito dos humanos – queremos ser úteis. E isso é igualmente verdadeiro quanto a nós do jornalismo, da mídia e das artes.

Estamos num momento da história em que a humanidade necessita de um sentido sobre o que é melhor para o mundo, que tipo de futuro pode haver diante de nós e o que devemos fazer juntos para criar esse tipo de futuro. Podemos fazer muito para esclarecer isso. Mas em primeiro lugar devemos limpar as correntes de pensamento que correm em nossas mentes. Não podemos fazer uma luz brilhar nos acontecimentos atuais ou nas possibilidades futuras se não houver luz em nossas próprias mentes. Não podemos ver e ampliar os milhares de pequenos atos de gentileza e heroísmo se não tivermos bondade em nossos corações."

*Judy Rodgers

Imagens e Vozes de Esperança é uma convocação para um compromisso de trabalho vivificante, criando imagens e histórias de possibilidades e esperança. Não se trata de superficialidades – fingir que as coisas ruins não acontecem. É sobre cultivar os espíritos que têm a qualidade de compaixão e generosidade, e a visão que pode divisar o que há de melhor no mundo – mesmo em situações difíceis.
















Grupo IVE em Minas Gerais
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